Panorama de Artes Plásticas Mato Grosso do Sul - Por Maria Adélia Menegazzo

Festival América do Sul - 2005

Toda mostra coletiva apresenta duas vantagens: permite que se conheça de uma única vez um grande número de artistas e, ao mesmo tempo, permite que se estabeleça diferença entre eles. Não se trata, em nenhum dos casos, de uma comparação valorativa, pelo menos do ponto de vista estético. O visitante do Festival América do Sul 2005 encontra neste espaço a produção recente de artistas sul-mato-grossenses e talvez se surpreenda de não encontrar uma arte especificamente sobre Mato Grosso do Sul, com sua exuberância natural e diversidade cultural. Fala-se um pouco sobre tudo e com propriedade. Artistas com diferentes perspectivas se encontram para dar mostras de um diálogo com linguagens da tradição como as da arte pop, da pintura de ação (action painting), ou referências mais diretas a artistas como Christo, Schiele, Nelson Leirner, Bispo do Rosário, como se pode observar nas obras de Evandro Prado, Priscila Paula Pessoa, Patrícia Rodrigues e Paula Nocera. A cerâmica aparece aqui nas obras de três artistas – Neide Ono, Irani Brun Bucker e América Cardinal se revelando como suporte dinâmico para a representação das formas escolhidas, sejam ícones para pretensões religiosas (as beatas), fetiches irônicos (as misses) ou formas orgânicas abstraídas (os jardins). A instalação de Ana Sakae materializa o tempo e o espaço em suas unidades infinitas, enquanto a de Haroldo Garay dialoga diretamente com o visitante, despertando-o para a prática da crítica adormecida. Marta Nogueira, Júlio Cabral e Vinícius Ibanhez, cada um a seu modo, revelam aspectos da realidade urbana e da natureza de um ponto de vista singular, seja pela figuração ou pela abstração.

Maria Adélia Menegazzo
Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA

Júri de seleção:
Maria Adélia Menegazzo
Mariza Bertoli
Rafael Maldonado

* Exposição no Festival América do Sul, em Corumbá – MS ; No período de maio de 2005.