Exposição: Habemus cocam

Individual
Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul - MARCO
Campo Grande - MS, maio/junho de 2006







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Evandro Prado, o principal representante da nova geração de artistas sul-mato-grossenses, apresenta na série de pinturas Habemus Cocam uma interessante relação entre as várias situações de poder do mundo globalizado. O conjunto de pinturas tratado de forma bastante realista imita a visualidade de comunicação da linguagem publicitária, um recurso adotado para reelaborar novas concepções formais através de procedimentos intertextuais.

A marca Coca-Cola, que para o artista representa a força do consumismo globalizado, surge como elemento que dá unidade às suas séries, fazendo variações da marca tradicional e seus anúncios de publicidade, relacionando-os com conhecidos personagens políticos e religiosos. Também faz interlocução com a história da arte na representação de detalhes de obras de artistas como Michelangelo, Dali e Picasso.
Na série sobre a obra Guernica, de Picasso, o paradoxo fica por conta das cenas de caráter dramático que se contrapõem com os bordões de otimismo inscritos nas embalagens dos refrigerantes. A monocromia que cria toda a tensão na pintura de Picasso é então interrompida por uma vibrante cor vermelha que age como fundo da obra. Um contínuo exercício da contradição sempre presente na obra de Evandro.

Outro aspecto nesse conjunto de pinturas é a delicada relação entre ideologias políticas e econômicas. O confronto direto entre comunismo e capitalismo fica explícito nas pinturas que retratam Fidel Castro e Che Guevara com inscrições Cuba Libre, desenhadas da mesma maneira da marca Coca-Cola.

Às vezes suas imagens são capazes de causar certo estranhamento devido à irreverência de sua criatividade. A pintura Habemus Cocam, que dá nome à exposição, retrata uma cena da cerimônia do funeral do Papa João Paulo II, que tem nas mãos uma tradicional garrafa de coca cola. E na pintura Experimente o novo podemos ver a silhueta do Papa Bento XVI, representado através de tonalidades cinzas que imitam a cor prateada da versão light do refrigerante. Como entender a inusitada ligação apresentada nessas obras?
Aí está o interesse na obra de Evandro Prado. Podemos obter inúmeras respostas num vasto campo de significação que nos convida à subversão daquilo que consideramos como “politicamente correto”.

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Trecho do texto "O novo fôlego na arte contemporânea sul-mato-grossense" de Rafael Maldonado