MARCO abre temporada de exposições

Os trabalhos de quatro artistas sul-mato-grossenses iniciam a temporada de exposições deste ano no Museu de Arte Contemporânea (Marco), em Campo Grande. A abertura será nesta quinta-feira às 20h. De acordo com Rafael Maldonado, curador do museu, “as quatro mostras individuais que abrem a Temporada de Exposições 2006 representam o que defino como ‘ensaios e processos de investigação’ na busca de soluções e perspectivas para a arte sul-mato-grossense”.


Habemus Cocam, de Evandro Prado; A vida não é filme, de Priscilla Paula Pessoa; Últimas Pinturas, de Ovini Rosmarinus trazem reflexões através da linguagem da pintura, enquanto que A grande outra cidade, de Alex Maciel, tem a fotografia como meio de expressão.

Evandro Prado apresenta na série de pinturas Habemus Cocam uma interessante relação entre as várias situações de poder do mundo globalizado. O conjunto de pinturas tratado de forma bastante realista tenta imitar a visualidade de comunicação da linguagem publicitária, pensando estrategicamente as formas para atrair a atenção de quem as observa.

A marca Coca-Cola, que para o artista representa a força do consumismo globalizado, surge como elemento que dá unidade às suas séries, fazendo variações da marca tradicional relacionando-a com conhecidos personagens políticos e religiosos, e também criando uma interlocução com a obra de artistas como Michelangelo, Dali e Picasso.

Priscilla Paula Pessoa traz a mostra "A vida não é filme”, uma relação entre campos artísticos que se aproximam pelas inúmeras possibilidades de soluções estéticas. Em suas telas, Priscila dialoga com o cinema resgatando a comunicação visual dos cartazes de antigos filmes, adaptando-os aos novos interesses da artista.

Na reprodução das cenas desses cartazes, Priscilla insere novos valores transformando as imagens originais. Por exemplo, no cartaz do filme Gilda, há a representação de uma suposta Rita Haywort “gorda” fora dos padrões de beleza e sensualidade. Ou também no cartaz do filme O Rei e eu, no qual se vê uma trivial dona de casa (seria Débora Kerr?) servindo cerveja e aperitivo ao marido (seria Yul Brynner?) que provavelmente assiste a uma partida de futebol pela televisão.

Alex Maciel, por meio da manipulação eletrônica de suas fotografias, cria um novo campo visual por meio do qual jogos de combinação de imagens são experimentados na organização das idéias do artista. Na série de fotografias “A grande outra cidade”, título da exposição, Alex apresenta registros urbanos em situações irreais, quase que beirando o absurdo. São cenas reinventadas inicialmente a partir da paisagem arquitetônica de Campo Grande, e, após o acréscimo de outros elementos, podemos perceber concepções intrigantes na relação entre as formas representadas.

Ovini Rosmarinus (Osmar Silva da Cunha) foi o mais irreverente artista sul-mato-grossense. Com atitude despojada, Ovini causava estranhamento por onde passava. Às vezes, usava óculos sem as lentes dizendo que era apenas porque achava que a armação lhe “caía bem”, embora não tivesse nenhum problema de visão. Sempre tinha um bom discurso para apresentar suas convicções artísticas e para justificar toda sua ousadia.

Seu trabalho sempre foi o reflexo de sua vida. As dificuldades nunca o impossibilitaram de produzir, aliás, foram elas que o fizeram buscar novas soluções para desenvolver a sua arte. Pintava sobre papelão, reaproveitava sucatas, costurava tecidos de guarda-chuvas velhos para confeccionar suas “telas” e conseguia surpreender toda vez que apresentava uma nova série de trabalhos.
m criando uma interlocução com a obra de artistas como Michelangelo, Dali e Picasso.

Priscilla Paula Pessoa traz a mostra "A vida não é filme”, uma relação entre campos artísticos que se aproximam pelas inúmeras possibilidades de soluções estéticas. Em suas telas, Priscila dialoga com o cinema resgatando a comunicação visual dos cartazes de antigos filmes, adaptando-os aos novos interesses da artista.

Na reprodução das cenas desses cartazes, Priscilla insere novos valores transformando as imagens originais. Por exemplo, no cartaz do filme Gilda, há a representação de uma suposta Rita Haywort “gorda” fora dos padrões de beleza e sensualidade. Ou também no cartaz do filme O Rei e eu, no qual se vê uma trivial dona de casa (seria Débora Kerr?) servindo cerveja e aperitivo ao marido (seria Yul Brynner?) que provavelmente assiste a uma partida de futebol pela televisão.

Alex Maciel, por meio da manipulação eletrônica de suas fotografias, cria um novo campo visual por meio do qual jogos de combinação de imagens são experimentados na organização das idéias do artista. Na série de fotografias “A grande outra cidade”, título da exposição, Alex apresenta registros urbanos em situações irreais, quase que beirando o absurdo. São cenas reinventadas inicialmente a partir da paisagem arquitetônica de Campo Grande, e, após o acréscimo de outros elementos, podemos perceber concepções intrigantes na relação entre as formas representadas.

Ovini Rosmarinus (Osmar Silva da Cunha) foi o mais irreverente artista sul-mato-grossense. Com atitude despojada, Ovini causava estranhamento por onde passava. Às vezes, usava óculos sem as lentes dizendo que era apenas porque achava que a armação lhe “caía bem”, embora não tivesse nenhum problema de visão. Sempre tinha um bom discurso para apresentar suas convicções artísticas e para justificar toda sua ousadia.

Seu trabalho sempre foi o reflexo de sua vida. As dificuldades nunca o impossibilitaram de produzir, aliás, foram elas que o fizeram buscar novas soluções para desenvolver a sua arte. Pintava sobre papelão, reaproveitava sucatas, costurava tecidos de guarda-chuvas velhos para confeccionar suas “telas” e conseguia surpreender toda vez que apresentava uma nova série de trabalhos


Quinta feira, 11 de maio de 2006
Secretaria de Estado de Cultura (www.sec.ms.gov.br)