Sessão fecha sem aprovação da Moção de Repúdio apresentada por Siufi

Sob protestos do vereador Cabo Almi (PT), o Grande Expediente da Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Campo Grande de hoje (17), foi encerrada pelo Presidente da Casa, vereador Youssif Domingos, sem a aprovação da Moção de Repúdio à exposição dos “Habemus Cocam”, do artista plástico Evandro Prato. O documento será votado amanhã (18).


Durante a palavra livre, o vereador Paulo Siufi (PRTB) manifestou sua indignação quanto aos insultos à igreja Católica provocados pela profanação das imagens sagradas de Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora Aparecida, Papa João Paulo II e de outros signos representativos da Santa Igreja Católica, aliados a imagens do refrigerante Coca-cola.

O posicionamento de Siufi foi apoiado, em aparte, pelos vereadores Professor Rinaldo, Edil Albuquerque, Cabo Almi, Pastor Sérgio e Carlos Marun, que acrescentou também a sua luta pelo respeito aos feriados religiosos, como Sexta-feira Santa, Natal e Dia de Finados. “Tudo isso são símbolos importantes e precisam do respeito. Repudio os quadros de Evandro Prato, porém sou contra a censura”, destacou Marun.

Siufi considerou a posição dos colegas e salientou que, como representante da Igreja Católica na Câmara, também não tem intenção de censurar a obra. “Vamos utilizar os meios legais, entrando com uma ação na justiça para que os direitos da Igreja Católica sejam assegurados”, lembrou.
Apenas o vereador Athayde Nery se posicionou contra a Moção de Repúdio dizendo que em momento algum a obra ofende os símbolos católicos.

O padre Mário Panziero, que acompanhou a sessão, lembrou que o respeito aos símbolos não se restringe à igreja. Os ícones gráficos que representam a nação, como é o caso a bandeira nacional, também merecem o mesmo respeito. O padre explicou que a igreja católica não cultua imagens, mas sim o que as imagens representam. “Por detrás de cada símbolo desses, há uma palavra, uma leitura, geralmente baseada na história de vida daquela pessoa ali representada, portanto distorcer os significados é uma agressão”, explicou o Padre. “Nem tudo pode ser permitido em nome da arte. Como cidadão e como sacerdote apoio a manifestação de Siufi pela defesa da moralidade, do certo, do justo e do descente”, concluiu.

“A Igreja não é retrograda, está sim buscando respeito aos seus valores e a Câmara Municipal, casa do povo, é um bom lugar para que esse tipo de ‘humilhação’ ao catolicismo seja barrado”, concluiu Siufi, amassando uma folha com reproduções das imagens dos quadros de Evandro Prado.Vários padres e representantes de comunidades católicas estiveram presentes à Sessão para acompanhar os trabalhos.

Carlos Kuntzel, Assessoria de imprensa do vereador Paulo Siufi
17 de maio de 2006
Câmara Municipal de Campo Grande (www.camaraonline.ms.gov.br)