Arcebispo entra com ação contra Evandro Prado

Com 7 mil assinaturas contabilizadas, foi encerrado o abaixo-assinado em repúdio à exposição "Habemus Cocam", do artista plástico Evandro Prado. O documento foi entregue ao arcebispo de Campo Grande, Dom Vitório Pavanello, que entrou com uma ação cautelar, na 4ª Vara Cível da Capital, contra o artista.


O processo, que será analisado pela juíza Denise de Barros Dódero, foi protocolado pelas advogadas Maria Elípia Ferreira dos Santos e Nauline Ferreira, no último dia 7.

Desde a abertura da exposição, no Museu de Arte Contemporânea (Marco), Evandro está sendo acusado pela alta cúpula da Igreja Católica de blasfêmia e profanismo, já que as obras retratam o consumismo utilizando imagens sacras, aliando a Coca-Cola à figura de papas e santos católicos.

Prado informa que ainda não recebeu intimação da justiça, mas adiantou que irá recorrer. Ele justifica que seu trabalho não é uma crítica ao catolicismo. "Já cansei de repetir isso", reforça. O artista comenta ainda que a Igreja não está preparada para entender os conceitos de arte contemporânea e brasileira. "Além disso, tenho o direito da liberdade de expressão", acrescenta.

O autor da exposição diz que desconhece o conteúdo do processo. "Eu não sou o único responsável pela mostra, se estou sendo atacado judicialmente, é justo que o Marco também seja cobrado, caso contrário, comprova que eles estão apenas querendo atingir a parte mais fraca" , destaca.

A reportagem do Correio do Estado procurou Dom Vitório Pavanello, mas ele não foi localizado. A advogada do arcebispo, Maria Elípia Ferreira dos Santos, preferiu não comentar o teor da ação. Em nota oficial, a Arquidiocese de Campo Grande repudia a exposição: "O artista, na intenção de corrigir ou atacar o consumismo reinante na sociedade atual, usou de meios ilícitos para criticar uma sociedade consumista. Há muitas outras formas para atacar os abusos provocados", diz o documento.

Prado acusa ainda um dos organizadores do abaixo-assinado de utilizar imagens sacras para se promover. "O vereador Paulo Siufi esteve distribuindo santinhos com a figura e a oração de Santo Antônio vinculados ao seu nome. Então, como ele é capaz de me condenar?", pergunta o artista.

O vereador rebate dizendo que não é candidato a cargo nenhum e que a lei lhe permite este recurso. "Essa é a minha crença, será que não tenho o direito de mostrar isso?", questiona. Ele aprova com convicção a iniciativa do arcebispo: "É o que eu esperava de um líder católico", ressalta.

A exposição "Habemus Cocam" segue no Marco até o dia 30 de junho.


LIDIANE KOBER
14 de Junho de 2006
Jornal Correio do Estado