MARCO abre temporada de exposições

Museu de arte contemporânea
Para esta primeira exposição do ano, a curadoria selecionou três mostras: novos trabalhos de Evandro Prado; fotos de Marcelo Buainain e esculturas do acervo.


Ícones religiosos em meia a violência que acomete o mundo contemporâneo; fotografias que congelam imagens de um país bem distante daqui e, ainda, uma mostra que coloca a luz obras tridimensionais. Todo este conteúdo poderá ser visualizado na primeira exposição do ano no MARCO, que será aberta às 19h30min com “Estandartes” de Evandro Prado; “Índia – Quantos olhos tem a alma” de Marcelo Buainain e “Esculturas e objetos do acervo do Marco”.

Mais polêmico do que nunca, Evandro Prado, que sofreu duras críticas de membros da Igreja Católica, mas recebeu o suporte de críticos de arte, quando exibiu no mesmo museu a sua série “Habemus Cocam” – que citava a sociedade de consumo utilizando-se de símbolos religiosos – mostra agora no espaço outra exposição que também inclui ícones cristãos, mas desta vez, mergulhados no tema violência. “Não é uma crítica direta a igreja, mas à sociedade como um todo, e a igreja é um elemento dela” cita Evandro.

As imagens trazem santos e o Papa, inseridos em cenários de violência. “Há um trabalho no qual o Papa segura uma foice, simbolizando toda a violência da qual a igreja já foi protagonista. Noutra coloco São Jorge acorrentado, significando que ele está preso ao pecado, aos conceitos de culpa ditados pelo cristianismo” explica o artista.

Para confeccionar os 18 trabalhos da nova série, Evandro utilizou tecidos de decoração, tintas acrílicas e oxidação, rendas, bordados, que ele mesmo fez, e até munição de armas de fogo. “Alguns elementos como o bordado e a renda se contrapõem à rispidez das imagens”, cita, referindo-se à construção das obras.

Sobre a possível polêmica que as obras poderão causar no público, a exemplo da mostra anterior, Evandro se adianta. “Eu não invento nada, as coisas que estão no meu trabalho são da realidade, no que aconteceu e no que acontece”, aponta Evandro, que como artista espera que o público consiga ler as entrelinhas de cada imagem. “Produzi as obras e o meu trabalho pára por aí, espero que o público aprecie os trabalhos como obras de arte” finaliza. No site do artista mais informações sobre sua obra: www.evandroprado.com.br.


Michelle Rossi
Campo Grande, terça-feira, 1º de abril de 2008.
Jornal Correio do Estado