Exposição: MARCO Alugado

Coletiva
Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul - MARCO
Campo Grande-MS, de 14 de dezembro de 2010 a 27 de fevereiro de 2011.

Instalação
"Ascensão", 2010
500 x 160 x 80 cm

Instalação
"La Sangre", 2010
600 x 80 x 80 cm

Ascensão

Ascensão

Ascensão

La Sangre

La Sangre

La Sangre

La Sangre

La Sangre




Texto da Exposição

cheguei até aqui. criei um mapa de papel e terra. sua casa. uma casa. estou em trânsito. o som do vento me leva. e os cheiros. e a água. você fala de invisíveis. indizíveis. é só a necessidade de entender o mundo. não é possível. ainda assim. como quando enxergo niemeyer em ouro preto. provocação. outras relações. experiências e conhecimento. tudo é assim. mas há um desejo de transformação. prefiro o silêncio de uma cidade branca. espaços sem fim. ainda assim vejo os olhos de ermenita e reencontro a capacidade de amar. ilusão. como a arte? não tenho como fugir disso. quero ir até o fim. vejo uma cordilheira de papel. torres de argila. compridas como giacomettis. não paro de ter ideias. viajar sempre. de novo? para ver o mundo. são perspectivas do vazio. perfis de pigmento e pó. daqui para onde vou? perguntas. melhor que respostas. ainda assim preciso saber de alguma coisa. aqui e agora. podemos fazer nosso lugar. recortei um pedaço do espaço onde ouço o canto de um pássaro do hemisfério norte. aqui é o sul. aqui é onde quero estar. um ateliê. uma praia de pedras. por isso não paro de criar. para respirar. para entender das coisas. de alguma coisa. eu quero descansar olhando matisse. há o tempo ali. meu tempo é denso. tantos tempos. paro por aqui? vi a placa: aluga-se. ainda não. é só o começo. e o fim dele? pode ser assim. verdades absolutas são para os descrentes. o olho é o rei. é o que sei. penso numa arquitetura do olhar. um olhar informado que constrói e desconstrói. como minha mão. é mais mental. não é uma crença. uma imagem do som. e do mundo. meninos na rua. pedras no chão. gravei uma ideia num tronco de árvore. vai ficar aí. não como cristal. é um veio para uma seiva. uma possibilidade. um caminho em que muita gente se reconheça. ou não. mas daqui para onde vou? ah!…

Cláudio Cretti