Temporada de Exposições do Marco começa hoje com novas produções

De religião a abandono, artistas plásticos exploram temas contemporâneos em obras

Quatro obras diferentes entre si, que proporcionam aos visitantes um passeio por estilos, ideias e imagens. Esse é o principal conceito da “Primeira Temporada de Exposições 2013” do Marco (Museu de Arte Contemporânea de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande. Aberta a partir de hoje, às 19h30, quando os artistas inauguram as galerias oficialmente, o evento tem entrada gratuita e as instalações permanecem até o dia 2 de junho.

Os trabalhos que estarão à mostra nos corredores do museu são: “Trajetos Urbanos”, de Esther Casanova, “Dominus Tecum”, de Evandro Prado, “O Relógio Quebrado”, de Henrique de França e “Museu de História Ficcional”, de Yara Dewachter. A curadoria do projeto selecionou os quatro trabalhos após a divulgação do edital. “Priorizamos o ineditismo das obras, além da coerência entre edital e inscrição. Acreditamos que temos aqui quatro exemplares de arte contemporânea que representam muito da arte brasileira”, explicou a diretora do Marco, Maysa Barros.

Artista plástico sul-mato-grossense Evandro Prado inaugura hoje a instalação “Dominus Tecum”; no piso da galeria, montou a perspectiva de uma igreja em formato de cruz latina, utilizando tijolos

Dois dos artistas que vão expor já estão em Campo Grande. Sul-mato-grossense, mas radicado em São Paulo, Evandro Prado realizou uma instalação em uma das salas do museu, que chamou de “Dominus Tecum”. No piso, montou a perspectiva de uma igreja em formato de cruz latina, utilizando tijolos. “Mantenho- me na ideia de desestabilizar conceitos engessados de religião, do sacro, e trazer arte contemporânea a partir disso”, explicou o artista.
Conhecido por revisitar os ícones religiosos, principalmente católicos, Evandro trabalha com um conceitual belo. Além disso, ele mostra uma escultura feita de santos derretidos em resina, pintados de dourado, logo na entrada da instalação.

Três artistas de São Paulo apresentam obras no Marco

Vinda de São Paulo, a artista Yara Dewachter brinca com o imaginário midiático das duas últimas gerações, que cresceram em frente à televisão e ao cinema. Em “Museu de História Ficcional”, a paulista afirma que reproduziu um museu de história natural com bonecos de personagens infantis, de desenhos animados, filmes e programas de televisão, que são “afogados” em parafina e exposto em armários.

“Aqui eu questiono os conceitos de influência da mídia na vida das pessoas, dissecando a fábula que temos acerca de todos esses personagens. Eles tentam sair da parafina, mas estão se afogando, estão imóveis, conservados na nossa cabeça para sempre”, explica. Algumas figuras muito conhecidas estão imortalizadas por Yara, desde a “Turma da Mônica”, do cartunista Maurício de Sousa, até “Thundercats”, “Procurando Nemo” e “Incrível Hulk”.

Em outras duas salas do museu, o público irá se depararcom a exposição “Trajetos Urbanos”, da artista Esther Casanova, e “O Relógio Quebrado”, de Henrique de França. Ambas são imagens que, exibidas na parede, trazem conceitos de abandono e recuperação. Isso porque “Trajetos Urbanos” é uma contextualização do cotidiano da artista, que buscou dar cores a São Paulo. “Nas pinturas eu reconstruo a ideia de andar pelas ruas de uma cidade cinza e dar cores a ela. Eu sou uma pessoa normal, que passa a observar esses pequenos detalhes”, enfatiza Esther.

Já nos quadros de França, que são feitos com lápis sobre papel, a visão é de desamparo. “Para criar essa obra, da série‘O Mesmo Sonho’, utilizei fotografias antigas, que redesenhei e coloquei em outra dimensão. A parte branca ou totalmente preenchida do papel vem para aumentar essa sensação de solidão”, explicou o artista.

SERVIÇO - A visitação estará aberta de terça a sexta, das 12 horas às 18 horas. O Marco fica na rua Antônio Maria Coelho, 6000, no Parque das Nações Indígenas. Informações no telefone (67) 3326-7449.

Daiane Liber 
Terça-feira, 9 de abril de 2013
Jornal O Estado de Mato Grosso do Sul