Imagens de símbolos católicos retratados por Evandro
Prado causam revolta
A comunidade católica de Campo Grande
está revoltada com a exposição “Habemus
Cocam”, instalada desde o dia 11 de maio no espaço
cultural do Museu de Arte Contemporânea (MARCO), com previsão
para permanência de mais 30 dias. As obras de arte são
interpretadas como uma profanação às imagens
sagradas de Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora Aparecida,
Papa João Paulo II e de outros signos representativos
da Santa Igreja Católica.
O vereador Paulo Siufi (PRTB), representante
da comunidade católica na Câmara Municipal de Campo
Grande, preparou uma Moção de Repúdio à
exposição, que será apresentada para votação
amanhã (17) durante a Sessão Ordinária,
a partir das 9 horas da manhã, solicitando o cancelamento
da exposição dos quadros assinados pelo artista
plástico Evandro Prado, cujas imagens fazem menção
aos símbolos sagrados da comunidade Católica.
Representantes da igreja Católica e
o Grupo de Defesa Católica organizado por jovens católicos
estarão presentes à sessão para manifestarem
sua indignação.
No entendimento do vereador Paulo Siufi, o
direito à liberdade de expressão é assegurado
pela Constituição Federal, base de um Estado Democrático
de Direito, e sempre deve ser respeitada. “Porém
o direito a liberdade é igualmente assegurado pela Carta
Magna, devendo, portanto, a aplicação desses preceitos
constitucionais ser balizada a fim de harmonizá-los,
tendo sempre em mente que deve haver fronteira entre o fim do
direito de um e o início do direito do outro. Neste caso
está havendo desrespeito com todos os Católicos”,
diz o vereador, acrescentando que o espaço cultural Marco
tem finalidades sociais distintas, sendo fomentador da educação
e da cultura da sociedade campo-grandense, portanto deve haver
neutralidade no propósito de construir uma consciência
regular que preserva os bons costumes.
Na opinião de católicos, como
José Carlos dos Santos, 22 anos, estudante de Direito,
o mundo passa por uma crise de intolerância. Fatos como
este podem ser entendidos como falta de respeito ao próximo
e isso não deve ser incentivado. “Esse tipo de
atitude (expor quadros que profanam símbolos católicos)
mesmo que não seja com essa intenção, não
deve ser incentivada. Precisamos promover convivências
harmoniosas”, destaca José Carlos.
Já para Valdecir Messias Machado, católico
praticante da comunidade Senhor do Bonfim, as imagens são
deploráveis. “Não se deve fazer, com uma
coisa séria, uma propaganda do que ela não é.
Em religião não há certo ou errado, mas
deve haver respeito com o que se acredita. Brincar com coisa
assim é muito sério. Graças a Deus vivemos
num país de paz”, desabafa Valdecir.
O autor
Procurado para falar sobre a polêmica
que as obras estão gerando, Evandro Prado, autor das
peças que estão expostas no Marco, disse que já
recebeu centenas de e-mails de repúdio ao seu trabalho.
De criação religiosa, o artista disse que não
é católico, mas também não está
brincando com os símbolos católicos. Afirmou que
a leitura correta das obras se faz a partir de um raciocínio
crítico ao consumismo. “O uso da figuras da igreja
é para mostrar que os valores estão sendo trocados,
ao invés de valorizar os ensinamentos de Deus, as pessoas
cultuam o consumismo. As empresas têm mais poder que a
Igreja”, afirmou Evandro.
De acordo com Evandro é preciso ter
um pouco de conhecimento sobre arte. O trabalho é conceitual
e visual, não pode ser encarado somente como uma obra
plástica, é preciso saber sobre o conceito. “Gosto
da icnografia religiosa e já fiz uma série de
trabalhos usando esse conceito”. A exposição
tem três segmentos, idolatria ao consumismo, capitalismo
e comunismo e arte e publicidade.
Para os católicos a leitura não
é diferente, o trabalho tem um forte apelo visual e sobre
ele, a partir dos valores de cada indivíduo, se constrói
o conceito que se desejar. É difícil alguém
parar diante de um quadro, ler a sua interpretação
em um manual e depois formar sua opinião. O que se vê
nestas telas, para um católico é chocante, já
para um espírita talvez não incomode e para o
autor é uma forma de dizer alguma coisa.
Na opinião do estudante Felipe Nery
da Silva, existem outras formas de passar a mesma mensagem,
sem perder a iconografia que o autor tanto valoriza. “É
natural que o trabalho esteja ofendendo a opinião católica
porque realmente os quadros estão desrespeitando as imagens
que tem significado forte para essa religião”,
conclui Felipe Nery.
Carlos Kuntzel
Assessoria de imprensa do vereador Paulo Siufi
Site da Câmara Municipal de Campo Grande, 16/05/2006
http://www.camaraonline.ms.gov.br