Arquidiocese repudia exposição sobre religião
e culto ao consumismo
Representantes da Igreja Católica apontam que obra agride
as imagens sagradas
Em nota à imprensa, a Arquidiocese de
Campo Grande repudia a exposição do artista plástico
Evandro Prado, intitulada Habemus Cocam, no Museu de Arte Contemporânea
(Marco). No documento, o padre Adailton Miorin diz que o artista
usou de meios ilícitos para criticar o consumismo da
sociedade.
“Há muitos outros meios para atacar
os abusos provocados pelo consumo excessivo. A própria
Igreja desaprova o consumismo. Antes, para não se deixar
levar por ele, pede aos seus fiéis o cultivo da parcimônia,
da austeridade, do jejum e da abstinência para viver bem
consigo próprio e no mundo em que se vive”, conforme
a nota.
Conforme o documento, a arquidiocese entende
que a exposição agride as imagens, consideradas
sagradas, e lamenta o fato de o governo do Estado ter apoiado
a exposição dos trabalhos.
O curador do Marco, Rafael Maldonado, em entrevista
ao jornal O Estado no dia 28 de maio, explicou que a seleção
dos trabalhos dos artistas é muito séria e feita
com acompanhamento de críticos de arte.
“O trabalho do Evandro tem uma proposta
pertinente, pois discute questões atuais. É importante
lembrar que o trabalho é uma metáfora tratando
dois grandes poderes: o do mundo religioso e o do capitalista”,
explicou.
“Não há, absolutamente
nada de agressivo ou profano no trabalho do Evandro, este entendimento
está simplesmente equivocado”, disse. Além
da arquidiocese, o Grupo Defesa Católica também
manifestou repúdio à exposição,
colocando abaixo-assinado que colheu ao menos 3 mil assinaturas.
O artista também recebeu diversos e-mails
de católicos que dizem ter visitado os trabalhos. “Eu
acredito que todos têm direito de se expressar, mas o
que me deixa triste é que muita gente sequer conhece
o trabalho e reclama de ouvir dizer”, disse Evandro Prado.
Christiane Reis
Jornal O Estado de MS – 26 de maio de 2006.