Mostra polêmica sobre religião e consumo
percorre o País
A exposição Habemus Cocam, do
artista plástico Evandro Prado, há mais de um
mês no Marco (Museu de Arte Contemporânea), em Campo
Grande, irá percorrer várias cidades do país.
O artista de Campo Grande foi um dos 30 selecionados, de 1.350
inscritos, para participar do Salão Nacional de Arte
de Goiás. Ele foi irá levar as obras para serem
expostas naquela cidade no período de 15 de julho a 6
agosto.
São 21 pinturas e 13 objetos (montagens
de materiais) em que a coca-cola toma lugares sagrados. O refrigerante
é ironicamente santificado aparecendo nas mãos
do papa João Paulo II, morto; e substituindo figuras
sagradas, como a Virgem Maria e até mesmo os Sagrados
Corações de Jesus e Maria.
O trabalho é baseado em um texto do
Frei Beto, chamado Religião do Consumo, em que é
condenado o culto pela sociedade de marcas. As obras causaram
polêmica e foram intensamente criticadas pela Igreja Católica,
que pediu a retirada da exposição.
As obras também serão expostas
em Brasília (DF), na Casa da Cultura da América
Latina, na galeria da UNB (Universidade de Brasília).
Apenas 25 artistas foram selecionados para essa exposição.
Evandro é o único de Mato Grosso do Sul. A exposição
dele ficará em Brasília no período de 10
de agosto a 6 de setembro.
O sucesso do artista de Campo Grande não
acaba por aí. Evandro participará também
da exposição Rumos - paradoxos do Brasil, do Itaú
Cultural. Essa exposição vai para Rio de Janeiro
no período de 14 de julho a 6 de agosto e irá
para Goiânia no final do ano. Ele ficou entre os 78 selecionados
para participar do projeto. Foram 1.342 inscritos. “Essa
exposição é a mais importante de mapeamento
de arte emergente”, diz o artista de Mato Grosso do Sul.
“Essa exposição tem respaldo
nacional. É uma aceitação. Não é
uma brincadeira de um cidadão de que ‘acha que
sabe fazer arte’, como disse o vereador Paulo Siufi”,
afirmou. O parlamentar foi responsável por uma nota de
repúdio contra a exposição.
“Meu trabalho é engajado. Não
é de uma leitura fácil. Ele tem mensagem política
e social”, diz. Segundo Evandro, as críticas são
válidas, mas vieram de pessoas que não conseguiram
compreender o verdadeiro sentido da arte.
Paulo Fernandes
Site Campo Grande News, 20 de junho de 2006