“Habemus Cocam”
Evandro Prado supera ação na justiça movida
pela igreja católica
O processo de ação criminal movido
pela arquidiocese de Campo Grande contra o artista Plástico
Evandro Prado foi arquivado na quinta-feira (21) a pedido da
promotoria, após audiência na Casa da Cidadania
da 2º Vara o Juizado Criminal. A ação teve
origem na exposição “Habemus Cocam”,
que esteve no Museu de Arte Contemporânea (Marco) entre
os dias 10 de maio e 30 de junho.
A arquidiocese alegou que a exposição causava
“impacto moral e emocional negativo na comunidade local,
especialmente na religiosa católica” e que “as
ditas obras que misturam latinhas e logotipos de refrigerante
da marca Coca-Cola com imagens de santos, caracterizando vilipêndio
às imagens sacras”.
Para Evandro, a decisão da justiça é um
alívio, principalmente para sua família que ,
segundo o artista, estava apreensiva, “ Eu sempre estive
tranqüilo porque conversei com vários advogados
e sabia que seria difícil ser condenado”, revela.
Caso a vitória tivesse sido da igreja, Evandro poderia
pegar até um ano de prisão. A arquidiocese também
pedia à justiça “o desfazimento das obras
profanas”.
“A minha intenção não foi, em nenhum
momento, de atacar a instituição Igreja. Mas considero
legítimo que eles entrem com uma ação,
eles estão no direito deles em fazer isso”, defende
Evandro. “Só achei absurdo o fato de pedirem a
destruição das obras”, considera o artista
plástico.
Aluno do 4º ano do curso de Artes Visuais da UFMS, Evandro
diz que suas obras exprimem uma visão pessimista de um
mundo fora de controle, onde o capitalismo promove a destruição
dos valores e também da natureza. “Só faço
uso de imagens religiosas para passar o recado (da crítica
ao capitalismo e ao consumismo)”, explica. A advogada
da Arquidiocese de Campo Grande, Maria Elípia Ferreira
dos Santos, foi procurada pelo jornal “O Estado”,
mas informou que a instituição não se pronunciaria
a respeito do caso.
Planos
Evandro Prado esteve com “Habemus Cocam” durante
um mês na Casa da Cultura da América Latina, em
Brasília, logo após o término da exposição
em Campo Grande. Segundo o artista não houve polêmica
alguma relacionada a suas obras na capital do País.
Outras obras também da mesma série estiveram em
São Paulo, Rio de Janeiro e seguem para uma exposição
em Goiânia, no mês de outubro. Ele conta que tem
convite para expor fora do Brasil, mas ainda não revelou
o país e nem a data em que ocorreria. “Ainda é
cedo, recebi o convite recentemente...” diz.
“Videoarte” é o novo campo que está
sendo explorado por Evandro, mas o artista ainda não
tem previsão de quando será a sua próxima
exposição na capital.
O caso
Logo após a abertura, a Câmara Municipal apresentou
Moção de Repúdio contra a exposição
assinada por Evandro Prado e um abaixo assinado, encabeçado
pelo grupo Defesa Católica de Campo Grande em protesto
ao trabalho do artista, apoiado por cerca de três mil
católicos de Campo Grande.
No dia 7 de junho, a arquidiocese de Campo Grande moveu uma
ação cautela contra Evandro e, no dia 14 a juíza
da 4º Vara cível, Denize de Barros Dodero, emitiu
decisão rejeitando o pedido. A Arquidiocese ingressou
com ação criminal no dia 20 de junho, mas teve
o processe arquivado na quinta-feira (21).
Natália Costa
Jornal “O estado de Mato Grosso do Sul”
Campo Grande, 23 de Setembro de 2006.