Processo contra artista é arquivado pela Justiça
A exposição “Habemus Cocam” teve ação
movida pela igreja católica que a acusou de vilipêndio
à imagem sacra
Muito foi falado e pouco foi racionalizado
sobre a mostra "Habemus Cocam", de Evandro Prado que
ficou em exposição no primeiro semestre no Museu
de Arte Contemporânea (Marco) e recebeu duras críticas
da comunidade católica de Campo Grande. A ação
criminal, postada pela comunidade contra o artista, foi arquivada
na última quinta-feira em decorrência do pedido
da própria promotoria.
A audiência, que seria a primeira a discutir
o suposto caso de vilipêndio de Evandro a imagens sagradas,
foi breve e decisiva. "A promotoria disse simplesmente
que gostaria de arquivar o processo", informou o artista,
acrescentando que sempre demonstrou tranquilidade com relação
à ação movida contra ele. "Eu sabia
que nada poderia ser feito porque a minha intenção
não era vilipendiar imagens sacras, mas sim fazer críticas
à sociedade consumista".
Caso resolvido aqui em Campo Grande e a mostra
"Habemus Cocam", enquanto isso, esteve recentemente
em Brasília na Casa da Cultura da América Latina,
onde nenhuma reclamação foi registrada, segundo
Evandro. "Nem de católico ou de pessoas da comunidade",
informa.
A série que esteve em exposição
no Marco é composta por pinturas que associam símbolos
do capitalismo, como a Coca-Cola a imagens sacras. Segundo o
artista, elas fazem reflexão do consumismo enquanto religião
na sociedade contemporânea.
Michelle Rossi
Jornal Correio do Estado, 24 de setembro de 2006.