Criticado pela Igreja, artista de MS prepara nova mostra
Um ano após a inauguração
da exposição Habemus Cocam, sobre religião
e consumo, o artista plástico Evandro Prado, prepara
uma mostra sobre a visita do papa Bento XVI que promete causar
muita polêmica.
Através de colagens, o artista sul-mato-grossense
irá vincular a imagem do papa aos dogmas da Igreja como
a proibição ao uso da camisinha e ao aborto, a
exigência da castidade e o tratamento dado aos homossexuais.
A mostra, que ainda não tem nome, deverá ir para
o Marco (Museu de Arte Contemporânea), em Campo Grande,
provavelmente em agosto. “Eu vou reproduzir, mas de maneira
crítica, os posicionamentos do próprio papa. Será
um humor negro. São coisas que todo mundo sabe, que todo
mundo vê”, revela o artista.
A preparação da exposição
ainda está no início, mas Evandro Prado já
levanta hoje algumas questões que devem fazer parte da
mostra. “Um gay pode ser católico?”, pergunta.
“Vamos falar sobre o posicionamento retrógrado
da Igreja. Como ela vai conseguir se estabelecer nessa Era.
As pessoas são católicas, mas ninguém segue
o que a Igreja determina. A Igreja está fora da sociedade”.
Habemus Cocam - Em maio de 2006, a exposição
Religião do Consumo (também conhecida como Habemus
Cocam), do artista plástico Evandro Prado, causou revolta
entre os católicos de Mato Grosso do Sul.
O arcebispo de Campo Grande, Dom Vitório
Pavanello, chegou a entrar na Justiça contra a exposição
alegando que ela estaria “causando impacto moral e emocional
negativo na comunidade local, especialmente na religiosa católica",
já que, no entendimento dele, as obras caracterizariam
desprezo às imagens sacras. Vereadores também
engrossaram o coro contra a exposição.
Em 21 pinturas e 13 objetos (montagens de materiais),
Evandro Padro deu teor sagrado a um refrigerante. O trabalho
foi feito com base em um texto do Frei Beto sobre a troca de
valores, o culto a algumas marcas, a mercadoria e ao dinheiro.
A ousadia foi tanta que no trabalho do sul-mato-grossense
que o sagrado coração de Jesus chegou a ser substituído
por uma latinha da coca-cola. Além disso, o papa João
Paulo II aparecia morto segurando o refrigerante. “No
fim valeu a pena. Não me arrependo de nada. Eu faria
novamente”, diz o artista.
Próxima atração - A próxima
exibição de Evandro Prado não promete causar
nenhuma polêmica. Em julho, a exposição
Fé na Tábua (de objetos) será exibida no
Sesc/Horto, em Campo Grande.
Paulo Fernandes
Site Campo Grande News, 11 de maio de 2007.