Místico e religioso
“Estandartes”, do artista
plástico Evandro Prado, e “Índia”,
do fotógrafo Marcelo Buianain, integram mostra.
O religioso e o místico vistos pela
ótica de artistas que fazem críticas sociais e
culturais será o tema da nova temporada de exposições
do Museu de arte contemporânea , que estréia na
terça (1º de abril), às 19 horas. O artista
plástico Evandro Prado vai expor sua nova série
“Estandartes” e o fotógrafo Marcelo Buainain
a mostra “índia – Quantos olhos tem uma alma”.
A exposição fica em cartaz até o dia 15
de junho. O evento tem entrada fraca. Além das obras
dos dois artistas, “esculturas e objetos do acervo do
Marco” estarão expostos.
Evandro Prado
Já a série “Estandartes”
é a mais atual produção do jovem e polêmico
Evandro Prado, criada em 2008. Ao todo são 18 estandartes
de 1,40m de altura por 1m de largura que dialogam sobre a violência
na sociedade cristã. “O trabalho é provocativo
e com ele continuo a mostrar o resultado do meu processo e investigação
de imagens religiosas, tema que permeia minha obra há
uns 5 anos”, esclarece o artista o artista. Em 2006 membros
da Igreja Católica tentaram processar criminalmente Evandro
por “vilipendiar publicamente imagens sagradas”
em seus quadros da série “Habemus Cocam”,
que combinam imagens de santos com Coca-Cola.
Os estandartes são feitos de materiais comuns em casa
brasileiras, como tecidos utilizados em sofás, panos
de pratos, colchas e rendas. Mesclados com outros materiais,
como tinta acrílica e, até mesmo, balas de revólver.
“Escolhi mostrar a violência desta forma porque
estandartes são elementos históricos e comuns,
utilizados em representações religiosas. O tecido
leve ajuda a representar o cotidiano e mostra como a vioência
é tratada por todos como coisa normal, do dia-a-dia,
mas, não deveria ser”, explica. Ele comenta que
por meio de bordados finos e delicados mostra a relação
da religião com a violência. “Há até
santos empunhando armas”, avisa.
Por Manuela Barem
Jornal: O Estado de Mato Grosso do Sul
Sábado, 29 de março de 2008.