Nova exposição de Evandro Prado representa
ícones católicos
O nome da exposição “Estandartes”
não poderia ser mais significativo e ilustrativo. Visitar
a nova exposição do artista Evandro Prado, é
como adentrar no meio de diversas bandeiras e estandartes que
são carregados em procissões católicas
por milhares de pessoas.
Evandro conta que a idéia de estampar colagens com iconografia
religiosa em tecidos surgiu quando ele começou a mexer
com colchas e retalhos. Depois, começou a concepção
do trabalho, que foi desenvolvido entre janeiro desse ano até
o presente momento. Os tecidos de fundo dos estandartes são
de sofás e colchas, e alguns deles podem ser identificados
pelo público, pois são panos de uso comum. Segundo
Evandro, isso é altamente intencional. A identificação
pessoal com a obra não para por aí, pois os santos,
papas e as figuras de Jesus retratadas na obra são inspiradas
naqueles “santinhos” de papel que caem em nossas
mãos quase o tempo todo.
O que chama a atenção, além da não-obviedade
da exposição, que mostra a temática já
presente no trabalho do artista, que é a Igreja como
um mecanismo opressor e falho inserido no contexto de vida social,
são as aplicações de pregos, ferrugem e
balas de revólver, além de medalhinhas e outros
objetos, em meio às imagens sacras. Os mártires
religiosos se misturam à ferrugem dos pregos, o que nos
remete à ferrugem da própria igreja ao longo da
história.
Olhando de longe, as formas tornam-se mais nítidas, devido
à costura intencional com linhas grossas e mal-acabadas.
Um papa sem rosto segura uma foice. Quem recebe e se despede
do público é São Jorge com correntes atadas
sobre o vermelho, a palavra “pecado” pairando sobre
ele.
Repórter do Unifolha visitou exposição
ao lado do artista plástico
DAIANE LÍBERO
Campo Grande, abril de 2008.