Obras de arte polêmicas criticam "indústria
de pecados"
Evandro Prado expõe série "Estandartes"
no Marco
Segue até o dia 15 de abril no Museu da Arte Contemporânea
(Marco), a exposição “Estandartes”,
do artista plástico Evandro Prado. Conhecido pela série
de obras que fundem a iconografia cristã aos símbolos
da cultura do consumo, o artista mais uma vez não teme
polemizar sobre o assunto. Desta vez, Evandro Prado expõe
18 obras, confeccionadas com diversos tipos de tecidos sobrepostos,
desconstruindo ícones e sugerindo ao público,
uma perspectiva crítica sobre o catolicismo, enquanto
"indústria de pecados e assassinatos", conforme
define o próprio artista.
Assim explica Evandro, perguntado sobre uma obra referencial
do acervo: “Posso citar a figura de um papa segurando
a foice da morte. Um papa como aquele que mata, assassina –
representando o poder da Igreja Católica que quase executou
Galileu Galilei, promoveu a Santa Inquisição,
incentivou a escravidão, que fez vistas grossas ao holocausto,
que apoiou a ditadura militar no Brasil”. “A Igreja
patrocinadora da morte”, ressalta.
O artista também percebe a gradual substituição
da veneração de objetos-símbolos da sociedade
de consumo, pela adoração de “grandes celebridades
que despertam paixões”, vistas por ele como produtos,
enquanto ícones. Sobre a arte ser um instrumento de transformação
social, Evandro pondera : “Diria que não. Mas a
arte leva as pessoas à reflexão, à questionarem”.
Ele também acredita que criar é, de certa maneira,
exorcizar. E conta, bem-humorado, que transpõe para suas
obras seus demônios mais “inquietos e provocativos,
os piores!”. E, se tivesse o poder de conceder o status
de divindade às pessoas, escolheria Oscar Niemeyer para
ser deus. E o diabo, “todas as pessoas que fazem a guerra”.
Unifolha
JOANA MORONI
Campo Grande, abril de 2008.