Capital tem seis mostras com acesso gratuito
Público pode conferir quadros e instalações
em diversas técnicas de 42 artistas de MS
O momento é propício para quem “curte” artes
plásticas. Seja em óleo sobre tela, grafite,
lápis de cor, foto, tecido, gravura ou qualquer outro
material. Sã nada menos do que seis exposições
em cartaz em diversos espaços de Campo Grande (veja
infográfico nesta página). “Corpo, Arte
e Rito”, da artista plástica Mayana Rodrigues,
e “Acho Que o Caminho Começa Quando nos Encontramos”,
de Húldo Trefzger Júnior, podem ser conferidos
na Grande Galeria do Memorial da Cultura e da Cidadania.
As obras de Húldo Trefzger são feitas em acrílico
sobre tela, para, segundo o autor, expressar a realidade, as
fases, os sonhos e os fascínios da vida, entre outros
temas. Já Mayana Rodrigues descreve sua produção
como um trabalho com a arte primitiva. Remetendo ao corpo feminino,
as esculturas de Mayana são feitas em resina de poliéster
pigmentada de preto, com adornos e vestes feitos de palha de
buriti, casca de coco e ossos. A exposição permanece
no local até o dia 6 de junho.
Com temporada menos longa, porém não menos importante,
estão expostos até o dia 3 de maio os quadros
de Lídia Baís na casa onde a artista campo-grandense
morou com sua família e onde é conservado seu
quarto de dormir. Quem visitar a Morada dos Baís até o
período poderá conferir obras com influências
dos estilos acadêmicos e surrealistas. Dos 12 quadros
em óleo sobre tela expostos, nove fazem parte do acervo
do Museu de Arte Contemporânea (Marco) e os demais integram
o acervo da própria Morada. O destaque da mostra vai
para o quarto da artista e a obra “Alegoria”, com
tons fortes e ilustrações surreais. Os quadros
não estão à venda.
Ainda na Afonso Pena, do outro lado da rua, está o
Espaço Arte e Cultura, no primeiro andar do Camelódromo
da Capital. Lá o visitante pode conferir a exposição “Retratos
e Caricaturas”, que reúne ilustrações
de 13 desenhistas, chargistas e cartunistas da Capital. A exposição
faz uma homenagem a cinqüenta personalidades da sociedade
sul-mato-grossense, cultura, política e jornalismo.
Obras de Acir, Celso Arakaki, Eder, Emmanuel, Luciano Alonso,
Maíra Espíndola, Marcos Borges, Ricardo Mayeda,
Wanick Corrêa, Zé Fiuza, André Martins
e Renzzo Giz ficarão expostas no local até o
dia 2 de julho.
O evento é coordenado pela Fundação Municipal
de Cultura (Fundac). Chamam atenção as caricaturas
de Zé Fiúza, Wanick Corrêa, Renzo Gizz,
Maíra Espíndola e Emmanuel. Dentre as mais belas
obras estão as que retratam a violeira Helena Meirelles
e a artesã Conceição dos Bugres, ambas
assinadas por Emmanuel (capa).
A região central da Capital sul-mato-grossense conta
também com exposições no Centro Cultural
José Octavio Guizzo. Em março, a Fundação
de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) inaugurou no local
a sala Inês Corrêa da Costa, criada para receber
obras do acervo do Marco. Quem inaugura a exposição é a
gravadora Vânia Pereira, que expõe com suas xilogravuras
no local.
Xilogravura é uma técnica em que são
feitos sulcos em madeira para criar um desenho em alto relevo,
que recebe camadas de tinta para serem gravadas em papel. As
mais belas e interessantes “xilos” de Vânia
são as coloridas. A exposição fica em
cartaz até o mês de junho e as obras não
estão à venda.
No Armazém Cultural, localizado no antigo complexo
ferroviário da Capital, 13 artistas apresentam sua arte
ao público dentro da oitava edição do “Arte
de Campo Grande”. Há obras em forma de esculturas
dos artistas Clara Rahe e Nantes, mosaicos de Noyde Pael e
quadros de Isac Saraiva, Elen Senna, Wanda Fiori, Paulinho
Cezimbra, Jeldson Araújo, Luiz Xavier, Eli Moraes, Antonieta
Paes de Brito e Fausto Furlan.
A mostra ainda tem quadros com a técnica grafite Família
Campão, formada pelos grafiteiros Mão, Ravinos,
Tofu, Car, Anão, Pé de Pano e Gnomo. Os quadros
dos grafiteiros inovam ao integrar uma exposição
com grande características acadêmicas, com obras
na maioria das vezes pouco inovadoras. Outro que se destaca é Jeldson
Araújo, que mescla em seus quadros surrealismo com natureza
e cotidiano sul-mato-grossense. A exposição tem
visitação aberta ao público até 11
de maio.
Por fim, as atuais mostras do Marco fecham o rol de exposições
que merecem atenção do público. As fotos
de “Índia – Quantos Olhos Tem Uma Alma”,
do fotógrafo campo-grandense Marcelo Buainain provocam
emoção em quem as contempla. As fotografias apresentam
um pouco do cotidiano religioso e tão particular do
país e contam com explicações e comentários
do autor. A exposição documenta três das
cinco viagens realizadas por Marcelo à Índia
entre os anos de 1997 e 2000. Ao todo, são 61 fotos
em preto e branco, no tamanho médio de 50cm por 60cm.
“Estandartes”, nova série do artista plástico
Evandro Prado também gera curiosidade. Sempre polêmico,
desta vez Evandro tenta provocar o espectador da sua obra em
três sentidos diferentes: utilizando um elemento simbólico
das tradições religiosas, que é o estandarte,
misturando as figuras de santos com armas e outros materiais
que simbolizam violência e reunindo tudo na delicadeza
de um trabalho feito a mão. Ele utiliza tecidos baratos
e comuns a muitas casas brasileiras, bordados com materiais
fáceis de se encontrar em qualquer armarinho.
Mais uma vez, uma exposição que dá prestígio à maturidade
de experimentação artística de Evandro.
E na Grande Sala do Marco, obras do acervo do museu, assinadas
por 12 artistas compõem um cenário heterogêneo
com esculturas e instalações. Com destaque para “Taxidermia
de João Silvino e Sua Prole”, do artista plástico
Douglas Colombelli. Obra de arte agressiva e curiosa.
Manuela Barem
Jornal O Estado de MS
Campo Grande, 07 de maio de 2008