Crítica - Alegorias Proféticas
Camuflados
Conhecido no cenário sul-mato-grossense
pela ousadia de suas obras, o artista plástico Evandro
Prado mais uma vez mostra talento e coragem em sua mais nova
exposição, Alegorias Proféticas.
Composta por 17 trabalhos em azul, amarelo,
vermelho e bege, a cada nova peça uma parte de uma mensagem
que anuncia o Apocalipse. A mensagem em branco, no vidro em
frente ao trabalho, é dura e forte, contrastando com
a delicadeza do trabalho feito em cima do tecido delicado e
colorido. O corte grosseiro e sem costura, é literalmente
pano de fundo para imagens santas, terços e costuras.
Costuras sutis em formatos delicados feitos em renda e outras
em cores diferentes de tecido em pequenos formatos sinuosos
remetendo ao Barroco.
É fácil perceber que o Barroco
talvez seja a mais marcante inspiração do artista.
O movimento Seiscentista foi marcado pelas lutas religiosas
decorrentes da Contra – reforma. Nesse período,
as expressões artísticas e a religiosidade foram
expressas de forma dramática e intensa, envolvendo emocionalmente
as pessoas da época.
Dos 17 atos em exposição, o
que mais prende a atenção , sem dúvidas é o
7º. A figura do Papa – outro traço sempre
presente nos trabalhos do artista, vide Habeamus Cocam e Estandartes,
para citar exemplos- e a frase ‘…e adoram a Besta…’ foi
considerada ofensiva por aqueles que visitam a exposição.
A grade sacada porém, é acompanhar todos os atos
relacionando figura e texto, para perceber que a mensagem é tão
clara quanto as imagens expostas. Não se trata de equívoco
nem blasfêmia, mas de um aviso do artista sobre a mais
camuflada forma de alienação social, a religião
como algo a ser seguido com medo e sem questionamentos. Uma
exposição belíssima carregada de significado
e assuntos a serem pensados pela sociedade atual.
UFMS - Redação e Expressão Oral II (http://deixaeuver.com.br/ufms/?p=27)
20 de setembro 2008
Tainara Rebelo